Se você tem consumido conteúdos sobre Blockchain e Web3 em algum momento você já deve ter ouvido falar sobre os  jogos play to earn. Uma hype gigantesca foi criada em cima desse novo mercado de games em 2020 e 2021. 

Play to earn: são jogos que utilizam a tecnologia blockchain e que possibilitam os usuários ganharem dinheiro através de tokens jogando diariamente.

Parece loucura, mas crianças e famílias estão sendo sustentadas com esses jogos, como no caso de comunidades rurais nas Filipinas. Mas isso se sustenta no longo prazo? Faz sentido? Como essa empresa está ganhando dinheiro?Precisamos entender antes de tudo, como o mercado de games funciona para entender para onde ele está caminhando. Passamos por algumas gerações no mercado de games nos últimos anos que nos separamos em 3 grandes grupos: Pay to Play, Free to play e Gamefi. 

Na primeira geração, o Pay to Play, era muito comum os usuários pagarem para jogar, esse modelo vem desde os primeiros consoles até hoje. O modelo era bem simples, você compra o jogo e ele é seu. GTA, World of Warcraft, CS, BF seguem esse modelo até hoje. Básico, né? Era venda pura e básica. O GTA V por exemplo já vendeu mais de 350 milhões de cópias no mundo todo. Além disso, foi implementado algumas monetizações estratégicas para ele ser mais rentável ao longo do tempo como assinatura, publicidade, venda interna de itens e customizações. 

Mas ele tinha um grande problema, pagar um alto valor para jogar algo que você nem ao menos sabia se iria gostar era uma barreira de entrada era gigante. Aí veio a segunda era, o Free to play. 

Jogos gratuitos que você simplesmente baixa e joga. Fortnite, League of Legends, Pokemon Go, Free Fire são alguns jogos dessa nova geração que aposta no modelo de retenção de usuário para ser lucrativo. Mas como eles ganham dinheiro se o jogo é de graça? Em venda de itens e customizações. A indústria monetiza por meio do social (ativos com valor social) e utilitário (ativos com valor no jogo).Sim, é a coisa mais normal você ver pessoas comprando Skins para seu personagem.

Skins são "roupas" para seu personagem, não tem efeito algum e é puramente estético. Sim, as pessoas compram roupinhas digitais para vestir seus personagens e isso é o mais normal no mundo dos games.

Temos também publicidade e assinatura mas de um jeito bem diferente do que estávamos acostumados na primeira geração. Com isso chegamos na nova geração, que uniu o melhor dos dois mundos para construir seus negócios, os Gamefi ou Play to Earn. Essa nova geração começa resolvendo um problema gigantesco no mercado, a propriedade digital. É muito comum você passar horas em um jogo, gastar dinheiro e depois não conseguir fazer nada com seus itens e com sua conta, até porque a conta é da empresa e não sua, os itens são da empresa e não seus realmente. 

Com esse grande problema, os GameFi decidiram tokenizar os itens do jogo, transformando eles em NFT e criando seu modelo de negócio a partir da negociação desses itens. O jogador tem a liberdade de ter seu item, fazer o que quiser com ele e até negociar dentro de um marketplace do próprio jogo. Essas empresas vendem NFTs e cobram taxas de negociações dentro desses marketplaces (4% de taxa, loucura? As pessoas pagam!) e pasmem, o Axie Infinity chegou a ter mais de US$80 milhões de lucro em um único mês com esse modelo de negócio no BETA.

Mas esse modelo é sustentável? Não, definitivamente não. Mas acreditamos que vamos ver um modelo bem interessante daqui para frente, o Free to Play and Earn. Onde esse mercado altamente lucrativo do free to play vai se juntar com o mercado de web3 e inovar o setor. Jogos como Axie Infinity foi uma grande virada de chave no setor e vamos ver alguns bilhões de dólares sendo investidos nesse mercado nos próximos anos.