Um grupo de empreendedores brasileiros brasileiros, que reúne nomes como Rony Meisler, fundador da marca Reserva, Tallis Gomes, criador da Easy Taxi (o primeiro unicórnio brasileiro), Rapha Avellar, da Adventures, entre vários outros, decidiram assumir a linha de frente do desenvolvimento da Web 3.0 no Brasil.

E é para educar e financiar empresas deste setor que eles criaram a AlmaDAO, uma organização descentralizada em blockchain que pretende ser pioneira da nova internet e do universo de organizações horizontais, criptoativos, metaversos, NFTs e muito mais. Em entrevista à EXAME, Gustavo do Valle, Paulo Orione e Ivan Pereira, que também fazem parte do grupo, contaram em detalhes o plano ambicioso e compartilham suas visões para o futuro descentralizado.

O conceito de Web 3.0 (ou Web3) consiste em uma internet totalmente descentralizada, isto é, onde os controles e a governança são feitos pelos próprios usuários. Enquanto a Web 1.0 era tinha os usuários apenas como consumidores, e não produtores de conteúdo, isso mudou com a chegada da versão 2.0, no início dos anos 2000. Os sites passaram a ser administrados por grandes corporações, como Google e Meta, e as pessoas passaram a se relacionar online, através das redes sociais. A Web 3.0 é a junção dessas duas coisas: a descentralização da primeira versão com a funcionalidade da segunda.

Nós somos um grupo de entusiastas da Web3, então nada mais justo do que criar uma Organização Autônoma Descentralizada (DAO) pra acelerar o projeto. Existem diversos tipos de DAO, mas a nossa vai acelerar projetos dentro da Alma, seja com mentorias, networking, funding, etc. A estrutura pra tudo isso é a DAO. Vamos crescer quando nossa comunidade também crescer”, disse Gustavo.

“Hoje, o capital está na Web2, o universo de startups ainda está lá, queremos ajudá-los a encontrar o caminho para as empresas que estão na Web3, pra que esse acesso e esse capital cheguem mais rápido, e assim crescer a Web3 mais rápido. Somos 100% focados em fomentar iniciativas nessa nova Internet”, afirmou Ivan, vice-presidente da Eduk, plataforma com cursos online de assuntos variados.

A princípio, são 28 membros fundadores. Grande parte deles se conheceu através da própria Alma, enquanto outros, como Gustavo e Paulo, já foram até sócios. Os dois foram fundadores da Decora, empresa que produzia produtos e cenários em 3D com tecnologias como o CGI (imagens geradas por computador), e foi adquirida em 2018 por US$ 100 milhões.

Segundo eles, o entusiasmo com a AlmaDAO vem da aproximação que a Web3 tem da Web1, que tinha como protagonistas principalmente os entusiastas da tecnologia. “É deixar a internet esquisita de novo", brincou Ivan. “Naquela época, não existia preocupação com as guidelines do Google ou da Meta, como é hoje em dia. Isso dificulta demais a criação de coisas embrionárias sem um investimento alto antes. Com a descentralização, essas barreiras são muito mais difíceis de serem criadas”, completou.

“Assim como a Web1 foi usada como infraestrutura para a Web2, a Web3 vai ser usada como ponte para uma possível Web4. Isso já é o que possibilita os smart contracts, por exemplo. É como se fossem os tijolos pra construção de uma cidade”, comentou Paulo. “A internet nasceu assim, de pessoas criativas, e a partir do momento em que esse modelo se torna sustentável, é difícil voltar a ser como era antes”, completou Gustavo.

Um dos primeiros projetos apoiados pela AlmaDAO é a Loopi Pay uma carteira virtual que permite comprar criptoativos pelo Pix. Apesar de contar com investimentos de fundos “à moda antiga”, a DAO, que na prática funciona como um espécie de cooperativa no ambiente digital, acredita que são um encaixe perfeito, como ponte do tradicional para o novo.

O lançamento oficial da AlmaDAO acontece no Eethereum.Rio, evento sobre blockchain e finanças descentralizadas (DeFi) que acontece entre os dias 11 e 20 de março, no Rio de Janeiro. Lá, os empreendedores que buscam se posicionar na vanguarda da Web 3.0, pretendem ter um maior contato com as startups e se colocar como uma alternativa real aos meios de aceleração mais comuns.